Regeneração e Cicatrização da pele: tudo o que você precisa saber

Empresa

Syntec

Data de Publicação

24/04/2020

PDF

Produtos Relacionados

Você já deve ter se perguntado como ocorre o processo de cicatrização. Antes de mais nada, é importante esclarecer a diferença entre regeneração e cicatrização, que são dois processos de reparação tecidual. De uma maneira bem sucinta, a regeneração é o processo que ocorre em lesões de pequena extensão tendo o objetivo de recuperar estruturas perdidas a partir da proliferação de células e tecidos. Já a cicatrização ocorre em lesões maiores quando o tecido lesionado é substituído por um tecido conjuntivo vascularizado, motivado por uma série de reações celulares e químicas com o objetivo de recuperar o tecido e sua integridade anatômica, mas não a sua função. O que vai determinar a regeneração ou cicatrização não é apenas a extensão da lesão, mas também os tecidos acometidos e o tipo de célula que os constitui. 

Na regeneração, as células que morreram no momento da lesão são substituídas por células do parênquima do mesmo órgão, enquanto que na cicatrização, as células são substituídas por tecido fibroso, o que chamamos de cicatriz. Numa mesma lesão, podem coexistir os dois tipos de reparação. Os tecidos podem ser classificados de acordo com a sua capacidade regenerativa, podendo as células serem divididas em:

Células lábeis

As células da epiderme por exemplo, são classificadas como células lábeis. Essas células têm alta capacidade proliferativa e de divisão contínua, elas estão continuamente em replicação celular, tem alto potencial regenerativo.

Célula estável

São células que normalmente não se proliferam, contudo têm essa capacidade caso sejam estimuladas. Um exemplo de célula estável é o hepatócito, que durante a vida adulta tem pouca capacidade de se regenerar, mas o faz quando há uma perda de tecido. Na pele, os fibroblastos são outro exemplo - são células com capacidade de regeneração dependendo da extensão da lesão e do grau de inflamação sofrido.

Células permanentes

As células permanentes por outro lado, são aquelas que não podem se dividir e regenerar. Dois exemplos clássicos são os neurônios e o tecido muscular. Por conta disso, em tecidos formados por células lábeis ou estáveis vai haver um grau de regeneração, um exemplo disso é a pele. Já em tecidos formados por células permanentes haverá cicatrização, por menor que seja a lesão, que é o que acontece no infarto do miocárdio, por exemplo. Mas, é importante lembrar que tudo depende da extensão da lesão. Mesmo em tecidos lábeis, se a lesão for muito extensa, poderá haver uma reparação por cicatrização.

Se formos pensar nos acontecimentos que se sucedem a partir do momento em que houve uma lesão por exemplo da pele, estaremos falando de reação em cadeia que dependem entre si para tentar reparar e fechar a lesão. Dividindo o processo por fases teremos:

Fase de hemostasia

Nessa fase estará ocorrendo a coagulação da ferida para estancar e minimizar a perda de sangue através da lesão. Esse processo ocorre quase que instantaneamente ao momento da injúria tecidual. Para que isso ocorra, os vasos em um primeiro momento entram em um processo de vasoconstrição, se contraindo, em seguida, as plaquetas vem com o importante papel de “selar” as paredes dos vasos sanguíneos atingidos. Um tampão é formado através da fibrina. A protrombina é uma proteína de coagulação responsável pela formação de coágulos, que por sua vez, mantém as plaquetas e as células sanguíneas presas na área da ferida.

Fase inflamatória

Antes de a cicatrização se iniciar, é necessário que o agente agressor seja eliminado por completo além de ter uma nutrição suficiente do tecido. E essa é a função da fase inflamatória, atrair células de defesa para que elas façam a limpeza do local infectado.

A fase inflamatória se inicia no exato momento em que houve ruptura do tecido culminando com a vinda de células inflamatórias para o local da lesão, além de fenômenos vasculares para estabelecer a hemostasia. O início é marcado por um processo inflamatório sinalizado por seus 5 principais sintomas: calor, rubor, dor, edema e perda da função. Com a lesão, o colágeno é exposto o que faz com que macrófagos e leucócitos (células inflamatórias), assim como células do sangue tenham acesso ao local da ferida.

Com a liberação dos mediadores da inflamação, os leucócitos chegam no local para destruir e fazer a limpeza dos restos celulares além de liberar mediadores químicos para atrair mais células para a proliferação do endotélio (epitélio de revestimento presente nos vasos).

Fase proliferativa

A fase proliferativa é caracterizada pela reepitelização para produzir uma nova barreira permeável, angiogênese na formação de novos vasos e fibroplasia para reconstrução da derme. Nas primeiras 24 horas da lesão cutânea inicia-se a migração de células fibroblásticas responsáveis pela síntese de queratina para formação de um novo epitélio. A reconstrução da derme inicia-se 3 a 4 dias após a lesão inicial e caracteriza-se pela formação de tecido de granulação.

O tecido de granulação está interligado à angiogênese (formação de novos vasos a partir de vasos pré existentes). São tecidos neoformados com células de tecido fibroso. É constituído por um emaranhado de capilares recém formados e futuramente é o que dará origem à cicatriz. Nesse tecido estão presentes um conjunto celular chamado de miofibroblastos, que são responsáveis pelo processo de contração para o fechamento da ferida.

Fase de remodelação

A fase de remodelação ocorre durante todo o processo de cicatrização, que é basicamente uma “organização” da cicatriz. O colágeno que é depositado na lesão, é um colágeno menos organizado do que o colágeno de uma pele que nunca foi lesionada. Esse colágeno é conhecido como colágeno tipo III, e ele tem uma espessura mais delgada. Conforme a ferida vai se curando, o colágeno é substituído por um colágeno mais resistente e para manter a organização dessa nova matriz, o colágeno tipo III é degradado por ação de proteínas. Essa fase é extremamente importante, pois a organização caracterizada pela retirada do colágeno antigo é responsável por uma cicatrização mais efetiva.

Importante destacar que essas fases ocorrem simultaneamente em boa parte do processo, não sendo necessariamente de maneira sequencial. O processo de cicatrização é relativamente similar em todos os mamíferos, porém existem diferenças e particularidades em cada espécie. O gato, por exemplo, tem um ritmo de cicatrização mais lento que o cão. 

Existem 2 tipos de cicatrização. A cicatrização por primeira intenção, e cicatrização por segunda intenção. 

Cicatrização por primeira intenção

A cicatrização por primeira intenção é aquela comumente utilizada pelos cirurgiões, em que os bordos da ferida são aproximados para que haja uma redução na perda do tecido. Em um período de 48 horas as células epiteliais começam a proliferar e crescer para baixo de cada lado dos bordos da ferida. Essas células cobrem a ferida como um manto. Esse material seca e forma uma crosta que se desprende quando a cobertura epitelial está completa. Todo o processo se assemelha à um fechamento de zíper.

Cicatrização por segunda intenção

A cicatrização por segunda intenção é caracterizada por uma ferida maior, em que os bordos da ferida não conseguem se aproximar. Ocorre significante perda de tecido, isso por que as células precisam ocupar um espaço maior para que a lesão seja fechada. O processo é mais extenso se comparado ao da primeira intenção. Os fibroblastos e as células endoteliais se lançam para o interior do “buraco” e vão crescendo por mitose até se alinharem paralelamente com a superfície. O processo requer muito mais organização, maior deposição de colágeno, e maior formação de cicatriz. É como encher um buraco amplo.

Alguns fatores podem influenciar na reparação tecidual podendo ser eles sistêmicos ou locais:

Sistêmicos

Doenças como diabetes, hipertensão, neoplasias, desnutrição, idade, uso de corticoides, imunossupressão.

Locais

Infecções, características da lesão, pressão local, manutenção do meio seco, presença de tecido necrótico.

O sucesso no processo de reparação tecidual da pele depende dos fatores citados acima e do tratamento terapêutico ou preventivo das feridas. Cada caso demanda uma conduta e terapêutica diferentes por parte do médico veterinário que está acompanhando, já que há inúmeras possibilidade de lesão em diferentes espécies, desde pequenos cortes cirúrgicos até lesões extensas que demandam tratamentos complexos. De modo geral, qualquer ferida nos animais deve ser tratada para evitar que fatores como insetos, infecções, necrose e novos acidentes prejudiquem o andamento do processo reparativo da pele. 

O uso de produtos tópicos cicatrizantes e repelentes de insetos, que previnem possíveis infecções oportunistas na lesão podem ser indicados. A Syntec disponibiliza no mercado veterinário a pomada Cikadol.

Cikadol – Pomada cicatrizante com ação repelente 

Cikadol é uma pomada formulada com três antibióticos: Penicilina Benzatina e Penicilina Procaína – que agem principalmente sobre as bactérias Gram-positivas e a Diidroestreptomicina – com ação predominante sobre as bactérias Gram-negativas e às pouco sensíveis às Penicilinas.

Cikadol também é enriquecida com Ureia, que dissolve e elimina secreções purulentas e tecidos mortos, permitindo uma ação mais profunda dos antibióticos sobre as bactérias da lesão. Por último, o óleo de Citronela atua como repelente das moscas, evitando a contaminação da ferida por ovos e larvas.

Cikadol dispõe uma apresentação em bisnaga de 50g e é indicado para cães, gatos, equinos, bovinos, caprinos, ovinos, suínos e aves, nas seguintes situações:

  • Ferimentos superficiais de pele de difícil cicatrização;
  • Ferimentos infectados;
  • Na proteção e cicatrização das feridas cirúrgicas;
  • Supurações.

Referências bibliográficas 

BOWLING, M.W. HENDERSON, R.A. 2006. Differences in cutaneous wound healing between dogs and cats. Veterinary Clinics Small Animal Practice, 36 (Wound management): p. 687-692, 2006.

CAMPOS A.C.L., BORGES-BRANCO A., GROTH A.K. Cicatrização de feridas - Artigo de revisão, ABCD. Arquivos Brasileiros de Cirurgia Digestiva, v.20, n.1, 2007. 

LAUREANO A., RODRIGUES A.M., Cicatrização de Feridas - Educação médica contínua, Revista SPDV, v. 69, n. 3, p. 355-367, 2011.

SCHIMITT F., Regeneração e cicatrização, Aula de Biopatologia, 2006.

THOMSON R.G., Patologia Geral Veterinária, Rio de Janeiro: Guanabara Koogan, 1983. 412p.