Diarreia crônica em cães: passado, presente e futuro

Empresa

Hill's

Data de Publicação

02/09/2020

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Maria Carolina Pappalardo

Médica-Veterinária formada pela Universidade Estadual de Londrina, residência em clínica médica pela mesma Universidade. Pós graduação em gastroenterologia Quallitas. Responsável pelo setor de gastroenterologia do Provet, Pet Care, Naya, Endocrinovet. Professora responsável pelo módulo de Gastroenterologia da Pós graduação em clínica médica na Metodista, Unisa e Equalis. Coordenadora do curso de pós graduação em gastroenterologia da Ufape Intercursos.

A diarreia crônica é uma manifestação clínica comum no atendimento veterinário de cães e gatos. Geralmente, o diagnóstico e o tratamento demandam paciência, tempo e uma série de exames, já que muitas doenças podem causar manifestações gastroentéricas. 

Enteropatias inflamatórias crônicas podem ser classificadas com base na resposta ao tratamento: enteropatia responsiva a alimentos, enteropatia responsiva a antibióticos, enteropatia responsiva a imunossupressores, ou enteropatia não responsiva1 .

A partir de 3 semanas, a diarreia pode ser considerada crônica. O prognóstico depende do comprometimento intestinal, região do intestino afetada e resposta ao tratamento.

Algumas raças têm uma probabilidade maior em desenvolver diarreia crônica, por exemplo: o Sharpey, Pastor Alemão, Bulldog Francês, Yorkshire e o Bassenji. 

Localizar a região do intestino mais afetada é de extrema importância. De acordo com o histórico e características das fezes, é possível classificar a diarreia segundo a região anatômica (Quadro 1).

Quadro 1: Classificação anatômica da origem da diarreia.

A diarreia de intestino delgado tende a ter um prognóstico mais reservado, já que, dependendo da gravidade, pode causar emagrecimento, desidratação, hipoalbuminemia, com maior comprometimento nutricional, já que grande parte da digestão e absorção é feita no intestino delgado (Fig. 1). O vômito bilioso pode estar associado à diarreia de intestino delgado quando há um comprometimento do duodeno.

Fig. 1: Diarreia de intestino delgado. 

A diarreia de intestino grosso pode ser intermitente, geralmente não causa perda de peso. Embora no intestino grosso tenhamos uma pequena absorção e digestão do que não foi digerido no intestino delgado, essa não é a principal função do intestino grosso. A formação e armazenamento das fezes são sua função principal, por isso quando a inflamação se localiza no intestino grosso, o paciente pode ter disquesia, tenesmo, urgência em defecar, muco e sangue vivo nas fezes (Fig. 2).

Fig. 2: Diarreia de intestino grosso.

Quando atendemos pacientes com diarreia de intestino delgado, podemos classificar a diarreia como uma alteração digestiva ou de absorção. Exemplos de alterações digestivas são a insuficiência pancreática exócrina e disbiose (Fig. 3). Alterações de absorção estão relacionadas a doenças da mucosa intestinal, por exemplo, doenças inflamatórias intestinais, neoplasias intestinais, síndrome do intestino curto e sensibilidade alimentar.

Fig. 3: Diarreia de origem digestiva. Paciente com Insuficiência pancreática exócrina.